Sísifo


“É preciso imaginar Sísifo feliz.”
Desde a primeira vez que ouvi Jaqueline
dizer esse texto em seu monólogo, nunca mais esqueci.
Como seres guiados pelo apego existencial a repetição, nos vemos frustrados, cansados e sobrecarregados pelas repetições que escolher fazer - ou que seguimos fazendo, sem nem mesmo ter o direito de escolher.
E é nessa crítica a repetição que o monólogo Sísifo ganha seu tom:
Falando sobre a repetição de hábitos, movimentos, rotinas, escolhas.
O monólogo se fragmenta entre delírios autorais e citações da poesia brasileira.
Uma performance que, assim como seu texto, se permite ser fragmentada, renovada e complementada a cada apresentação.
Nós tivemos a oportunidade de assistir a esse espetáculo duas vezes.
Em ambientes, cenários e propostas diferentes, que nos permitiu degustar a performance de Jaqueline e sua expansão.
Como Liala Coelho pontuou, assistir a dança, a presença e a movimentação de Jaque como performer, é emocionante.
Um espetáculo voraz, enérgico e que te arranca suspiros.
Não sei quando você terá a próxima oportunidade para assistir a esse espetáculo, mas quando puder: DEVORE!
Enlouqueça, saboreie, mate galinhas e imagine Sísifo feliz.
>escrito por Clara Silva


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