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SEM TEMPO, IRMÃO?

  • Foto do escritor: Cultura Nomadd
    Cultura Nomadd
  • 21 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

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“E aí, como você tá?”

“Na correria.”

“Sem tempo, irmão?”


Esse tem sido o novo normal.

Um bordão disfarçado de status.

Quase uma medalha: quem tá no corre, tá vencendo.

Quem não tem tempo, tá avançando.



Agora estamos sempre ocupados. Mas ocupados com o quê?

Com compromissos? Trampo? Prazo? Feed? Stories?

Com provar que tá tudo bem quando, no fundo, tá tudo vazio?

Ou será que só estamos evitando sentir o peso de viver desconectados de tudo que

realmente importa?


A moda é estar sempre ocupado para ser relevante. As agendas estão lotadas, os olhos

sempre nas telas, os encontros reduzidos a áudio de 2x e as refeições, quando não

puladas, são feitas em pé, entre uma notificação e outra.

Sentar à mesa virou luxo. Silêncio virou desconforto.

Esperar é perda de tempo.


A gente se acostumou a viver rápido.

Só que ninguém falou que viver rápido demais é uma forma de não viver.


Nessa pressa insana, estamos nos perdendo de tudo que faz a vida valer a pena.

A mesa virou depósito. rolês foram substituídos por reacts.

A conversa foi reduzida a mensagens que mal dizem o que sentimos.

Não estamos ocupados. Estamos desatentos.


Perdemos o sabor da pausa. A breja que esquenta em cima da mesa.

A risada que demora a vir. Deixando de priorizar o que realmente importa.

Estamos cada vez mais conectados, mas cada vez menos tocados.

Nossos relacionamentos agora são vagos, conversas rasas,

promessas feitas na ansiedade e esquecidas na próxima notificação.

Há quem diga que estamos evoluindo.

Mas talvez estejamos apenas acelerando nossa própria desconexão.

Estamos mesmo vivendo ou só sobrevivendo?


E se talvez parássemos e déssemos atenção ao que tem faltado nos teus dias.

Não é só sobre tempo cronológico. É sobre tempo de qualidade.

Sobre estar inteiro. Sobre não se perder de si e da vida ao seu redor.


Existe um tempo que só nós podemos fazer. Um lugar de ser, viver, de sentir, de criar

memórias. Existe um ritmo diferente. Não é o mais rápido. É o mais vivo. Ele não grita.

Ele convida. Mas pra escutar, acredite, você vai ter que desacelerar.

E talvez seja esse o maior privilégio hoje: VIVER!


Sentar sem pressa, comer sem culpa, ouvir sem interromper.

E quem sabe, nessa vida desacelerada, a gente perceba que não era

produtividade que faltava, mas propósito.

Que não era fazer mais, mas ser mais presente.

Que não era ganhar tempo, mas se permitir viver o tempo.


Então antes de dizer “sem tempo, irmão”.

Pergunte-se:

Tudo isso que você tá correndo tanto pra conquistar,

vale mesmo a vida que você tá deixando de viver?


>escrito por Jéssica Carvalho

 
 
 

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